Saúde
Perseverança e moderação: segredos para cumprir metas no novo ano
Saúde
Um ano acaba, outro começa e, em geral, as pessoas traçam metas pessoais para o novo período. Na maioria das vezes, porém, são metas amplas que, frequentemente, costumam não ser cumpridas.

Para o coordenador da unidade cardiointensiva do Hospital Badim do Rio de Janeiro, Felipe Cosentino, a chave para transformar metas em acontecimentos realizáveis é a perseverança. De acordo com o médico, a primeira grande coisa é não estabelecer metas grandes demais, que podem acabar gerando frustração e abandono.
Felipe Cosentino afirmou que a lista dos desejos da população é grande e costuma incluir novo amor, casamento, o trabalho dos sonhos, comprar algo muito desejado, a promessa de cuidar melhor da saúde e do bem-estar. A questão, disse ele, é que alguns desses objetivos não são alcançados.
Para transformar a promessa em realidade, ele recomendou que as pessoas substituam as metas por hábitos sustentáveis e quer possam ser alcançados aos poucos. Em vez de ‘vou emagrecer’ ou ‘vou fazer exercícios’, o melhor é definir metas concretas e possíveis, como ‘caminhar três vezes por semana’ ou ‘reduzir o consumo de ultraprocessados’.
Segundo Cosentino, a constância, mesmo que se apresente com pequenos passos, é o que garante resultados duradouros.
Avaliando a saúde
Esse período de balanços pessoais e profissionais representa uma oportunidade também para avaliar a saúde. “Revisar exames, consultas e comportamentos permite iniciar o novo ano com mais equilíbrio e prevenção”, assegurou.
“Sem dúvida, é importante que a gente se preocupe com o nosso coração, se preocupe com a nossa saúde como um todo e a saúde cardiovascular é fundamental dentro desse contexto”.
Em relação à saúde cardiovascular, em especial, o médico disse que as pessoas devem evitar a automedicação, procurar sempre o cardiologista, fazer acompanhamento sobre as taxas de colesterol, triglicerídeos, entre outras, evitar gordura, preferir comidas mais leves, melhorar os hábitos de vida.
Melhor caminho
Cosentino explicou que hábitos simples, como manter boa qualidade de sono, ter uma alimentação equilibrada e praticar regularmente atividade física, têm impacto profundo na prevenção de doenças cardiovasculares, metabólicas e mentais.
Lembrou que grande parte das doenças crônicas se desenvolve de maneira silenciosa, como diabetes, hipertensão, mesmo sem apresentar sintomas. Por isso, insistiu que a prevenção é sempre o melhor caminho, porque possibilita o tratamento antes que ocorram complicações mais graves.
Além de reservar momento de descanso para si, Felipe Cosentino indicou que as pessoas devem evitar também o excesso de informações pela internet e redes sociais, valorizando o convívio presencial e o diálogo que tem sumido nas famílias e nas relações com os médicos.
Moderação
O clínico médico e hospitalista do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Lucas da Silveira Martins, aconselhou as pessoas a buscarem metas que sejam equilibradas e factíveis.
“Porque, quando a gente coloca um objetivo que está muito adiante, isso pode ser um pouco frustrante quando não se consegue o resultado esperado tão rápido. Por isso, meu conselho é moderação, é equilíbrio. Quer dizer, em vez de a pessoa estabelecer metas muito grandiosas, elas devem procurar estabelecer metas mais flexíveis, que possam ser realizadas”.
Martins sugeriu que as pessoas tracem um círculo e coloquem ali todas as áreas de sua vida.
“A gente pode colocar aí o sono, a prática de atividade física, as atividades de lazer, atividades relacionadas ao nosso ciclo social, de trabalho e, sem grandes julgamentos, tentar se dar uma nota, vamos dizer, de 1 a 5, em cada uma dessas áreas”.
De acordo com o clínico, a partir das notas, a pessoa tenta estabelecer uma meta factível do quanto quer melhorar. “Então, por exemplo, se eu me dou uma nota 1 em atividade física, eu posso tentar primeiro chegar no 2, chegar no 3. Isso pode ser conseguido fazendo atividade física duas ou três vezes na semana”, orientou.
Martins lembrou que a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que as pessoas realizem 150 minutos semanais de atividade física aeróbica, só que isso, às vezes, é difícil de alcançar. “Então a gente tem que tentar ter uma meta de curto prazo para talvez, quem sabe no próximo réveillon, poder avançar a nossa nota um pouco mais para perto do objetivo”.
Segundo o médico, se as pessoas conseguirem observar a cada dia seus hábitos e vícios e verificar o que podem fazer para melhorar, com a ajuda inclusive de especialistas, elas vão começar a trilhar um caminho melhor sedimentado, mesmo que seja mais lento.
“Se eu sou um fumante e tenho desejo de parar, eu posso procurar um pneumologista que me ajude com essa meta. Se eu estou com sobrepeso e tenho desejo de emagrecer, eu posso procurar uma orientação médica para fazer isso, fugindo de fórmulas mágicas ou milagrosas”.
Saúde
Instituições preparam orientações para reforçar pesquisas sobre vapes
O Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras instituições de pesquisa trabalham em uma carta conjunta com recomendações e orientações para estudos sobre dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), como cigarros eletrônicos, vapes e similares.

O documento será assinado pelo diretor-geral do Inca, Roberto Gil, pela vice-presidente adjunta de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Patricia Canto, e por representantes de universidades e instituições de pesquisa de todo o país.
As diretrizes foram debatidas nesta terça (14) e quarta-feira (15) no seminário Construindo uma Agenda de Pesquisa Prioritária sobre Dispositivos Eletrônicos para Fumar para o Brasil, no Rio de Janeiro.
Os pesquisadores partiram de um levantamento, realizado entre 2019 e março de 2025, que identificou 59 estudos sobre os impactos dos DEFs na literatura científica nacional.
As pesquisas analisadas abordam desde os danos à saúde humana até dados epidemiológicos sobre experimentação e uso, além de aspectos regulatórios e de políticas públicas.
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O diretor-geral do Inca afirmou que o seminário representou um esforço coletivo para identificar lacunas e prioridades de pesquisa sobre esses dispositivos.
“Queremos fortalecer a base científica que orienta as políticas públicas e ampliar a capacidade de resposta do País a esse desafio, que representa uma ameaça à saúde da população brasileira, sobretudo das novas gerações”, destacou Roberto Gil.
Pesquisadora e coordenadora substituta do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde (Cetab/Fiocruz), Ana Paula Natividade disse que o encontro buscou organizar o conhecimento existente e apontar caminhos para novas investigações que fortaleçam a saúde pública.
“O avanço acelerado desses produtos e das estratégias da indústria do tabaco exige respostas científicas igualmente rápidas e coordenadas”.
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