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Segurança Pública Começa Antes do Crime: O Papel dos Homens no Enfrentamento da Violência contra as Mulheres

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Por Jefferson Dias Chaves

Ao completar 25 anos como delegado de polícia, reafirmo uma convicção construída na prática: segurança pública não se faz apenas com repressão. Prender é necessário, mas não é suficiente.

Em Mato Grosso, os números escancaram a urgência. Em 2024, o estado registrou 5,61 mortes violentas por 100 mil mulheres, com tendência de crescimento. Esse cenário exige mais do que resposta policial — exige prevenção, coragem institucional e mudança cultural.

A violência contra a mulher não começa no momento da agressão. Ela nasce antes, na banalização do desrespeito, na cultura que normaliza a desigualdade e no silêncio que protege comportamentos abusivos. A misoginia, muitas vezes invisível, é um dos pilares dessa realidade.

É preciso dizer com clareza: o enfrentamento da violência contra a mulher passa, necessariamente, pelo comportamento masculino.

Ao longo da minha trajetória, compreendi que políticas públicas eficazes não podem atuar apenas após o crime ou focar exclusivamente na vítima. É fundamental agir antes, interromper o ciclo e evitar que a violência se concretize.

Foi com esse propósito que fortaleci o projeto “Papo de Homem pra Homem”, iniciado na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A iniciativa leva diálogo direto a escolas, empresas e instituições, promovendo reflexão, responsabilidade e informação sobre a Lei Maria da Penha.

Não se trata apenas de palestras, mas de uma mudança de postura. O homem precisa deixar de ser espectador — ou parte do problema — e assumir seu papel como agente da solução.

Defendo medidas concretas: ampliar ações preventivas nas escolas, fortalecer a rede de proteção com mais Delegacias da Mulher e garantir atendimento nas regiões mais distantes, além de enfrentar com rigor a disseminação do ódio contra mulheres no ambiente digital.

Após 25 anos de serviço, compreendo que o verdadeiro avanço na segurança pública não está apenas na repressão qualificada, mas na capacidade de evitar o crime.

Proteger as mulheres é dever do Estado. Mas também é responsabilidade de cada homem.

E essa mudança precisa começar agora.

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No Brasil, o câncer ainda depende da renda para ser curado

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No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer ainda pode depender da condição financeira do paciente. Essa é uma realidade que expõe, de forma clara, as limitações das políticas públicas de saúde e a dificuldade histórica do país em garantir acesso igualitário ao tratamento.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram a dimensão do problema: o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo aproximadamente 518 mil casos anuais, excluindo tumores de pele não melanoma. Mato Grosso deve registrar cerca de 8.680 novos casos de câncer por ano nesse mesmo triênio, totalizando cerca de 25,9 mil novos casos. Isso coloca Mato Grosso entre os estados com maiores taxas de incidência do país.

Na prática, pacientes de baixa renda frequentemente chegam ao sistema de saúde com a doença em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura. Já aqueles que têm acesso à medicina privada costumam descobrir o câncer mais cedo, quando o tratamento é mais eficaz.

O tratamento do câncer no Brasil expõe a ineficiência do Estado em proteger seus cidadãos. Em 2025, o brasileiro trabalhou 149 dias — cerca de cinco meses — apenas para pagar impostos. Aproximadamente 40,82% da renda foi destinada ao pagamento de tributos diretos e indiretos. Ainda assim, mesmo diante de uma das maiores cargas tributárias do mundo, os governos, ao longo de décadas, não implementaram medidas de saúde capazes de garantir condições eficazes e igualitárias de tratamento entre as diferentes classes sociais.

De forma objetiva, pode-se afirmar que a população mais pobre continuará morrendo mais, sofrendo mais, enfrentando maiores mutilações e limitações após o tratamento do câncer no país. Além disso, permanecerá mais tempo afastada de suas atividades profissionais e sociais, apresentará maiores taxas de aposentadoria precoce e menor produtividade, gerando impactos familiares e sociais relevantes. Em resumo, morrerá mais jovem, após enfrentar mais dor e sofrimento — consequências diretas de diagnósticos tardios e da incapacidade do Estado de oferecer uma saúde de melhor qualidade e mais equitativa.

É uma constatação que não pode mais ser ignorada: no Brasil, o tempo do diagnóstico ainda define quem tem mais chances de sobreviver.

Isso ocorre justamente em um momento de importantes avanços na medicina. Hoje, contamos com tratamentos mais personalizados, imunoterapia e o uso crescente de tecnologias para diagnóstico precoce. No entanto, o acesso a essas inovações ainda não é igual para todos.

O acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado não pode depender da renda. Trata-se de um direito e de uma responsabilidade direta do Estado.

O Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 8 de abril, reforça a urgência desse debate. Não basta avançar na tecnologia — é preciso garantir que ela chegue a toda a população.

Em um ano eleitoral, essa realidade precisa deixar de ser apenas um diagnóstico e se tornar prioridade. É fundamental que propostas concretas para o enfrentamento do câncer — especialmente no acesso ao diagnóstico precoce — estejam no centro do debate público.

Como médico oncologista, professor e cirurgião, reforço: nenhum avanço substitui a prevenção. A alimentação equilibrada continua sendo um fator essencial na redução do risco de câncer, inclusive para quem já enfrentou a doença.

O Brasil vive um paradoxo entre avanço científico e desigualdade no acesso. Enfrentar o câncer exige mais do que tecnologia — exige decisão, investimento e compromisso com a equidade.

O enfrentamento do câncer no país não é apenas um desafio médico. É, sobretudo, uma escolha política — e essa escolha define, na prática, quem terá acesso à vida.

Dr. Wilson Garcia, Médico oncologista, professor e cirurgião, combatente da mortalidade por câncer no país.

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